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Juliana Ribeiro e Carolina França falam sobre suas conquistas e dificuldades no basquetebol feminino

Juliana e Carolina são atletas de basquetebol que possuem conquistas a nível estadual e nacional no esporte. Com seus 25 e 26 anos, respectivamente, as atletas conquistaram a oportunidade de atuar profissionalmente na equipe Sodiê Doces/LSB RJ, criada pela Liga Super Basketball (LSB) em 2019. Hoje vamos contar um pouco mais sobre o início no esporte, a trajetória em quadra dessas atleta e as dificuldades de ambas para se manterem no meio do basquete.

Juliana Ribeiro iniciou sua história nas quadras com 12 anos jogando no time pré-mirim do Tijuca Tênis Clube. O esporte proporcionou à atleta uma bolsa de estudos de 100% em um colégio particular, onde teve oportunidade de atuar em diversas competições. A atleta também integrou diversos clubes como o Clube Municipal, onde jogou o Campeonato Sul-Americano de Basquetebol Feminino, e também na Mangueira, onde pôde dividir quadra com grandes talentos do esporte. Na sua trajetória completa já jogou campeonatos estaduais, foi convocada para seleção carioca, e também para seleção brasileira, onde chegou a jogar até em Madrid (Espanha) em 2013. Atualmente, é ala-pivô da equipe profissional de basquetebol feminino Sodiê Doces/LSB RJ.

Juliana vestindo a camisa 12 da equipe profissional Sodiê Doces/LSB RJ

Companheira de quadra de Juliana, a atleta Carolina França também tem uma lista longa de conquistas no esporte. Descoberta com 13 anos por um técnico de basquete de um colégio particular, a jogadora conquistou bolsas integrais devido ao seu basquetebol em todos os colégios e faculdades que passou. Se federou em 2010 pelo Clube da Mangueira, onde participou do Campeonato Estadual no mesmo ano. Em sua trajetória conquistou o primeiro lugar do Campeonato Brasileiro Universitário 2019, representando a primeira conquista do Rio de Janeiro no campeonato após 13 anos. Ficou em segundo lugar com seu time no Campeonato Brasileiro Estudantil ocorrido em Curitiba e, nos campeonatos da LSB, conquistou o prêmio individual de Melhor Ala do Campeonato Estadual Amador 2012. No ano passado, a atleta começou a atuar profissionalmente juntamente com Juliana Ribeiro.

A atleta Carolina França vestindo a camisa 6 da Sodiê Doces/LSB RJ.

A equipe profissional adulta na qual as atletas atuam no momento (Sodiê Doces/LSB RJ) visa recuperar o basquetebol feminino no Rio de Janeiro, dar oportunidade e espaço para mulheres no esporte e abrir caminho para que as futuras gerações  também possam realizar seus sonhos em quadra. Sobre isso, as atletas contam ser uma responsabilidade enorme e também um grande sonho.

“A sensação de estar na Sodiê Doces/LSB RJ é literalmente sonho, parece que a ficha ainda não caiu de estar em um time profissional e adulto. É uma grande conquista nossa, porque fizemos por merecer e o intuito do projeto torna tudo um sonho em dobro, não é só uma realização pessoal, mas também uma forma de abrir caminho para uma menina realizar o seu sonho no futuro.”, contou Carolina França.

Sobre a responsabilidade, Juliana contou que foi um ano de muito aprendizado e adaptação.

“No ano passado eu aprendi muito sendo uma atleta profissional, foi uma grande adaptação. Tivemos ajuda dos nossos diretores, psicólogos e profissionais da mídia para saber como se portar em uma entrevista, etc. Foi uma oportunidade e responsabilidade enorme poder jogar com pessoas que você vê na televisão, saber que você pode chegar no nível daquelas atletas. Além disso, a equipe de cientistas de dados me proporcionou um aprendizado que eu não tive em 10 anos de basquetebol como lances que aumentam as possibilidades de cesta ou como quando arremessar ou não. Esse ano na equipe me proporcionou coisas inimagináveis, é muito bom ser atleta do time.”, relatou Juliana Ribeiro

Mesmo com tanto talento e as grandes conquistas dessas mulheres, o basquetebol feminino ainda não é reconhecido ou valorizado no país. O investimento, os patrocínios e recursos são muito poucos e insuficientes e, por isso, o basquetebol profissional feminino não pode ser a única fonte de renda dessas atletas. Muitas precisam se dividir entre trabalhar, estudar e jogar. Ser mulher nas quadras ainda é uma luta difícil e diária e, para Juliana Ribeiro, o que mais pesa é a falta de reconhecimento.

“Sobre jogar e trabalhar, me acho uma mulher guerreira e me sinto orgulhosa de ter no meu time outras mulheres como eu. Eu acredito que se eu pudesse me dedicar 80% para o basquete eu seria outra jogadora, mas também acredito que todos os sacrifícios serão reconhecidos uma hora! Minha vida sempre foi assim, sou negra, moro em comunidade, tenho 26 anos, já sou formada e jogo basquete profissionalmente. Sigo minha vida com muito orgulho do que sou e do que me tornei para minha família. Só queria mesmo reconhecimento e voz para o basquete feminino.”, contou a ala/pivô Juliana.

Para Carolina França o problema se resume em duas palavras: investimento e credibilidade.

“As maiores dificuldades eu posso resumir em investimento e credibilidade, porque quem têm poder para fazer o basquete feminino crescer não se importa, não confia e não investe. Não dá para viver de esporte no país, não por culpa do clube, mas pela falta de investimento dos patrocinadores. É muito suado para eles conseguirem o pouco que já temos e o feminino não tem nem 1/3 da estrutura e investimento que o masculino tem. Eu acho que o Brasil é uma fábrica de talentos em diversos esportes, mas falta muito investimento. Mulheres que se destacam precisam fazer mais que o triplo do que um jogador homem faz e o retorno é sempre desproporcional.”, desabafou Carolina.

Neste ano a equipe jogaria a Liga de Basquete Feminino (LBF) representando o Rio de Janeiro, entretanto, com a pandemia do Novo Coronavírus, o campeonato de 2020 foi oficialmente cancelado nesta semana. Mesmo com o desânimo pela falta de perspectivas para o futuro, desistir não é uma opção para nenhuma das duas jogadoras. Sobre isso, Carolina França mandou um recado para todas as outras atletas.

“Não desanimem, tenham fé. É uma fase, um momento atípico que estamos vivendo. O sonho não acabou, ele só foi prorrogado”, falou a atleta.

Jogadores destaques da LSB: conheça a trajetória da atleta e mãe Thayná Silva

Thayná Silva começou a jogar basquete em um projeto de aulas em Padre Miguel se inspirando em sua irmã mais velha. Em 2009 foi revelada pelo time da Mangueira, onde começou a jogar com seus 13 anos de idade. A atleta participa de campeonatos da Liga Super Basketball desde 2017 e, atualmente, faz parte da equipe feminina fundada pela Liga: Sodiê Doces/LSB RJ. Em seus anos de trajetória na LSB se tornou uma jogadora destaque em quadra.

A atleta vestindo a camisa 16 da Sodiê Doces/LSB RJ

Com seus 24 anos a atleta já protagonizou muitas conquistas. Em São Paulo, foi destaque do elenco do ABC Paulista e voltou ao Rio de Janeiro em 2016. No ano seguinte começou a jogar campeonatos da LSB pelo Novo Basquete Rio (NBR) e encerrou o Feminino 2017 como a jogadora com a maior média de pontos (20,5), maior média de arremessos convertidos (8,3) e maior média de rebotes ofensivos (5,5).

Em 2018, Thayná jogou a Liga de Basquete Feminino (LBF) pelo time São Bernardo e, além de ter sido a segunda maior pontuadora (média de 19,2), foi a jogadora com a maior eficiência do campeonato (20,8). Ao fim do torneio foi escolhida pelo público para jogar o Jogo das Estrelas, onde fez jus a cada um dos votos recebidos. Com sua excelente temporada, a atleta conquistou dois prêmios individuais: Revelação e Quinteto Ideal da temporada.

A atleta convertendo 2 pontos de bandeja

No ano passado (2019), Thayná realizou seu sonho de virar mãe e teve a pequena Aylla de apenas 7 meses. Agora em 2020, a jogadora foi anunciada pela Sodiê Doces/LSB RJ e revelou estar muito ansiosa para voltar às quadras.

Sobre ser mãe, a atleta contou que está sendo uma experiência incrível e que ela e a filha são muito grudadas.

“Deus me deu uma gravidez maravilhosa, descobri no início de 2019. Os dias são agitados, ela está engatinhando por tudo agora e é muito grudada em mim. Com a pandemia, estamos mais agarradas ainda e estou aproveitando muito cada fase. Está sendo uma experiência incrível.”, revelou a mãe da Aylla.

A jogadora também comentou sobre a divisão entre as quadras e a maternidade, onde revelou ser uma mãe bastante preocupada, mas saber dividir bem os momentos. Além disso, revelou estar muito ansiosa para voltar a jogar e ver sua filha a assistir da arquibancada.

“No começo desse ano cheguei a treinar com a equipe e dividi a maternidade e o treino. Eu sou muito preocupada e mandava mensagem a cada segundo perguntando pela Aylla. Voltar a treinar vai ser difícil porque eu vou ficar com saudades dela e ela de mim, mas a gente vai se acostumando de acordo com a criação e a rotina. Consigo dividir bem isso, em quadra parece que tenho um apagão e foco apenas no jogo, não penso em mais nada. Não vejo a hora de voltar para as quadras, bater bola, correr e ver a Aylla me assistir da arquibancada.”, contou a ala do time.

Thayná e sua filha Aylla de 7 meses

Em Janeiro desse ano, Thayná começou os treinos pela Sodiê Doces/LSB RJ e em Março estreiaria em quadra na LBF representando o Rio de Janeiro. Entretanto, com a pandemia, o campeonato foi suspenso na primeira semana e o time não chegou a competir. Sobre o futuro no time, a atleta declarou estar ansiosa pela volta e muito feliz pela oportunidade.

“A LSB me abriu portas, me fez acreditar que meu basquete pode ir muito além do que eu imagino, é um campeonato muito bom. Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de competir pelo time, mas estou com muita sede de jogo, o time também, ficamos só no gostinho (risos). Quero abraçar essa oportunidade de jogar no Rio de Janeiro agora com a minha filha, o que mais almejo é voltar, quero muito jogar”, revelou a atleta.