Domingo, 16 Julho 2017 06:00

Dê uma chance ao basquete amador Featured

Written by Diogo Aquino

Quando falamos sobre o basquete amador no Brasil, algumas pessoas tratam com um certo descaso e até não ligam mesmo. Tem pessoas que falam que o Brasil não investe nos esportes e por isso preferem ver eventos americanos e de outros países.

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Sim, o Brasil carece de investimento no esporte. Mas por que as pessoas não apoiam? Por que as pessoas não valorizam o trabalho, mesmo que seja pequeno, de pessoas que querem que o basquete cresça cada vez mais? O que você faz para apoiar o esporte que tanto amamos? Pois, criticar e julgar é infelizmente inerente do ser humano.

Foi me questionando assim, que vi que eu errava e muito também. Como sabem, atualmente eu tento fazer uma cobertura descente do high school (ensino médio) basketball e nunca fui um grande fã do basquete nacional. Curto ver, pois sou fã de basquete, mas não sou um apaixonado no basquete nacional.  

Mas teve um dia que me perguntaram sobre o basquete nacional na minha página no Twitter e eu não tinha resposta. Era meio absurdo pensar que buscava informações e fazia o trabalho de scout (olheiro) dos jogadores desde o middle school (ensino fundamental) mas não sabia nada sobre atletas de 18 anos (idade dos formandos do high school) aqui do Brasil. Foi daí que surgiu a vontade de saber mais sobre o basquete nacional e queria fugir do óbvio, a NBB.

Como a maioria das pessoas que curtem o esporte, também jogo a famosa “pelada” no fim de semana e no meio da conversa entre amigos, soube da existência de uma liga amadora no meu estado (Rio de Janeiro). Na outra semana, um dos amigos me levaram a um jogo e pude conhecer um dos fundadores. Antes de falar com ele, vi a atmosfera do clube onde estava tendo um jogo, vi como aqueles jogadores se entregavam em quadra como se fosse um playoff de NBA, vi a estrutura pequena em comparação aos grandes eventos, mas pessoas trabalhando de forma séria como se valesse um grande título.

Sim, parecia pequeno para mim. Mas é enorme para as pessoas envolvidas em todos processos, desde os fundadores até os jogadores. Naquela hora eu sabia que queria estar ali e tenho a oportunidade de escrever para a liga atualmente. Era o momento certo para que eu pudesse tirar esse pré-conceito do basquete nacional e entender melhor a nossa carência nacional, nem que seja um pouco.

Vi um liga estruturada, profissionais competentes e esforçados, times organizados outros nem tanto, um trabalho social enorme em alguns times, jogadores e técnicos dedicados e o mais importante, amor ao basquete. Soa meio clichê, eu sei, mas eu nunca imaginei ver isso em uma liga amadora e talvez você também, vamos ser sincero.

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Conheci uma equipe, não vou citar o nome, que o treinador/jogador me dizia que não treinava todos os dias pois tinha que “competir” com o futebol e com a violência em sua comunidade. Ainda me disse que o basquete desse projeto sobrevivia porque os garotos amam jogar e é melhor isso do que ir para o lado errado da vida, mas comum naquela comunidade. Sabe, admito que segurei o choro no dia. Ver na televisão pessoas dando certos relatos é uma coisa, mas olhar no olho da pessoa e ver como o basquete é tão importante para ela e para os outros ao seu redor, é fantástico.

Na outra ponta do processo, a maioria das pessoas que trabalham na liga tem outro emprego e cedem o seu fim de semana para a liga. Entende que isso é gigante? Pense você caro leitor, trabalhar/estudar a semana toda e quando chega ao fim de semana, você abdica de ficar com a sua família/amigos/namorada (o) e prefere trabalhar umas 6 horas no sábado e domingo. Impensável né? É, mas tem pessoas que fazem isso e gostam muito de fazer isso. Isso se chama amor ao esporte, não consigo achar uma outra definição.

Nesse tempo que estou na liga, pude conhecer a existência de outras liga e uma delas é a LABA de São Paulo. A LABA também é uma liga estruturada e que vem mostrando um crescimento imenso. Vale a pena você ficar de olho.

Sobre o basquete amador, pude conversar com duas pessoas que entendem muito do nosso basquete nacional, Fábio Balassiano do Bala na Cesta e com o Ricardo Bulgarelli, comentarista da ESPN. Perguntei a eles, o que achavam do incentivo ao basquete amador e eles falaram isso:

“Infelizmente faltam pessoas séria aqui no nosso país para comandar as confederações esportivas. No caso especificamente do basquetebol, vivemos há muito tempo em uma situação para lá de delicada.

Por isso, temos que apoiar e tirar o chapéu para pessoas como o Guilherme e o Marcos (fundadores da LSB) que 10 anos atrás criaram este projeto que consegue dar oportunidade a todos que queiram praticar o esporte que tanto amam. O que mais me chama a atenção na LSB, é o fato dela trabalhar com as categorias de base e também dar espaço ao basquete feminino, que anda meio esquecido no Brasil.

Sem contar o fato de ter muitos amadores na pratica da atividade esportiva. As coisas poderiam ser mais fáceis se a Liga ou qualquer outro projeto tivesse o devido apoio. Sou a favor da expansão da LSB pois temos que pensar alto e projetar como um todo.

O Rio de Janeiro nesse momento está à frente dos demais centros, mas como ficam os atletas que atuam no Norte, Nordeste nos quatro cantos do país? O ponta pé já foi dado e faz tempo. Tomara que os novos gestores voltem a olhar com o carinho para todos que sonham em recolocar o basquetebol como o segundo esporte deste país. ”Ricardo Bulgarelli.

“Considero que todo o tipo de ação que seja de desenvolvimento e potencialização do basquete, seja importante e necessária para a modalidade por aqui. De todo modo, e ao mesmo tempo, ela (a ação) deve estar alinhada com a Federação, Confederação e Liga (se for o caso).

O mundo ideal é esse e é muito importante todos estarem na mesma página. “ – Fábio Balassiano.

Mas por que outras pessoas não enxergam isso ou não curtem o basquete amador? Não gostam do basquete?

Na verdade, não creio que as pessoas não gostem do basquete, mas sim que também tenham o mesmo pré-conceito que eu tive. O que fazer para mudar isso e incentivar elas a valorizar o nosso basquete nacional?

A resposta não é tão simples, tem dois pontos. O primeiro ponto é que as ligas amadoras ao lado das Confederações, precisam buscar a evolução diariamente. Porém, isso é gasto para essas ligas e a condição financeira hoje, não está muito atrativa para qualquer empresa. Mas vamos entender nesse caso, que os gastos viram investimentos e sendo bem utilizado, acaba atraindo novas pessoas.

Vi isso na primeira transmissão da LSB, em que mais de 150 mil pessoas viram os jogos e muitas delas viram pela primeira vez um jogo amador.

Já o segundo ponto é o mais complicado ao meu ver. É você querer!

Pois é leitor, você é a peça mais importante dessa engrenagem. Não adianta as ligas investirem financeiramente nas suas categorias, nos times treinarem incessantemente, se você não assistir ou consumir o produto gerado por esse trabalho.

Não vou forçar você a fazer algo que não quer, mas se em nenhum momento desse texto de mais de mil palavras você não sentiu nenhum pingo de vontade de ver ou conhecer uma liga amadora, você realmente não sabe o que está perdendo.

Vou finalizar esse texto fazendo um pedido a você: dê uma chance para o basquete amador e veja o quão bonito é.

Read 283 times Last modified on Terça, 18 Julho 2017 15:40
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