Com uma história no esporte que nasceu quase que simultaneamente com a LSB, Juliana Ribeiro bateu um papo comigo, dos mais abertos que tive a oportunidade de tecer com um personagem do basquete carioca.


juliana dk

A atleta falou da identificação com a Liga Super Basketball, sobre o amor ao Duque Kings, sobre a situação do basquete feminino, sobre o papel do atleta na organização do esporte, tudo isso você pode conferir agora:

 

Diogo Aquino: Eu gostaria de começar pedindo pra você falar um pouco da sua relação com a lsb.

Juliana Ribeiro: A LSB vem me acompanhando a bastante tempo, ela está comigo e viu minha evolução desde o início. Eu não lembro o ano exatamente, mas eu comecei no basquete no mesmo ano que a LSB começou. Inclusive, o DK (Duque Kings), é o único time em que eu joguei a LSB. Já fui campeã pela LSB, vivi vitórias, derrotas, brigas…

É um campeonato que vem melhorando a cada ano, a cada temporada. E eu tenho certeza que vai crescer muito mais, ainda mais no feminino, que é pouco valorizado, poucas pessoas colocam a mão no fogo pelo feminino. É muito difícil isso, mas a LSB, vem permitindo que o feminino não acabe. Porque querendo ou nao o campeonato aqui no Rio (de Janeiro), que a gente mais valoriza é a LSB. Eu agradeço muito a LSB, desde o começo ela vem ajudando muito a gente, tanto como atleta, como os outros profissionais do basquete. Eu posso falar, porque a LSB já me deu uma chance de ser estagiária, a LSB, dá chance pra quem quer ser árbitro, a LSB ajuda muito.

 

DA: Sobre a próxima temporada vc continua no Duque Kings?

JR: Para alegria de todos, sim!

 

DA: Legal essa sua relação com a equipe, você é sempre muito cobiçada, mas sempre assume esse papel de liderança no DK né?

JR: O DK, o Bruninho sempre me ajudou muito, tanto nas quadras quanto fora. E as meninas também são muito companheiras. A maioria sempre jogou comigo, ou no DK ou em outros times da federação. As vezes penso em trocar, mas meu coração e DK, então não consigo!

 

DA: Qual a sua expectativa para a próxima temporada?

JR: Muitos jogos! Estamos nos planejando para conseguirmos ir até o final do campeonato, não dando bobeira, não dando wo de graça. Vieram algumas meninas novas para nos ajudar e vai ser muito bom isso. Soube que são 7 equipes no feminino e isso é muito bom.

 

DA: Você parece bem animada para temporada.

JR: Estou ansiosa para o retorno às quadras até para saber se como todas as equipes estão. Espero também a melhoria dos árbitros como um todo, que isso é crucial as vezes para todos os times.

 

DA: Percebo que você dá muito valor ao desenvolvimento estrutural do esporte, já falou sobre as dificuldades que o basquete feminino enfrenta, sobre o papel de resistência da LSB neste mesmo sentido, e agora da importância da qualificação da arbitragem. Você acha importante que os atletas tenham uma postura mais ativa no desenvolvimento estrutural do esporte?

JR: Óbvio, não depende só da lsb, ou de quem quer que for para o esporte em se desenvolver. Acho que para querer melhoria/desenvolvimento você tem que saber o que ocorre num todo. Não é só chegar e apontar, como a maioria faz.

 

DA: Agora, olhando pra temporada passada, você teve um desempenho individual muito bom. Como você avalia sua participação na LSB 2017?

JR: Eu acredito que poderia ter sido melhor. Gosto muito de jogar em equipe, tendo todas juntas. Mas às vezes um jogo está propício para um jogadora. Como quando a pivô adversária é baixa e a nossa é alta, e algumas coisas assim!

Mas como disse, acho que poderia ser melhor, muitos arremessos precipitadas e escolhas erradas, mas espero que esse ano seja melhor. Já voltei a ativa, mais para o lado do condicionamento físico, e seja o que Deus quiser. O DK está muito empolgado, doidos para o torneio ou campeonato começar.

 

DA: Que bom! Desejo boa sorte a você e ao DK. E agradeço por ter  me cedido o seu tempo pra falar de LSB.

JR: Nada, obrigada vocês!

Published in Livre Feminino
Sexta, 27 Outubro 2017 16:12

Top 10

Estamos na reta final da temporada 2017, e muito embora o melhor ainda esteja por vir, já temos muito que comemorar.

Sem sombra de dúvidas essa foi uma ótima temporada para o basquete feminino da LSB, oportunidade em que vimos novos talentos surgirem, outros se consolidarem e veteranas mostrando que ainda estão jogando no mais alto nível.

top 10

Em homenagem a tudo isso, Eu (Diogo Aquino), e meu companheiro de LSB, Felipe de Souza, resolvemos nos unir para escolher um top 10 da temporada regular.

Pode não parecer mais o trabalho foi realmente muito, a medida que os nomes que surgiram a mesa foram tantos, antes de chegarmos a uma lista, que se não foi exatamente um consenso, foi o mais próximo que pudemos chegar dele.

Parabéns a todas as atletas, que nos proporcionaram uma ótima temporada regular, e vamos nos deliciar com o que os playoffs ainda vai nos proporcionar.

Dito isso, acho importante mencionar que, como toda lista sempre gera polêmica, gostaria de deixar claro que o único critério objetivo desta lista é levar em consideração o basquete apresentado por cada atleta dentro da temporada regular. Todos os outros critérios de avaliação são subjetivos.

Outro ponto que merece esclarecimento, é que, muito embora o número um dessa lista, de fato possa ser considerado o nosso ou nossos votos para MVP da temporada regular, esta lista não representa de forma alguma uma premiação oficial, ou posicionamento oficial da LSB, apenas as nossas humildes opiniões, com base em tudo que pudemos acompanhar nesta temporada.

Feitos os devidos esclarecimento, vamos à lista:

 

10 - Scarlett Horrana (IBC): Mesmo a equipe do IBC tendo jogadoras mais experientes, a armadora de 17 anos foi o grande destaque dessa equipe. Fez partidas sólidas e sempre foi a jogadora sã do time. Tem um bom arremesso do mid-range, um passe consistente e faz bem o espaçamento de quadra.

Consegue criar espaços para os seus arremessos e o das suas companheiras; (Felipe de Souza).

 

9 - Mayara Crystina (NBR):  É uma das jogadoras mais talentosas do NBR. Consegue atuar bem no perímetro, mas tem uma grande facilidade em fazer infiltrações (principalmente do lado direito) e finalizar com layups perfeitos.

Mesmo sendo uma jogadora que tem um instinto de scorer, ela assume bem o papel de playmaker. Fazendo bem a rotação ofensiva e dando bons passes, ela faz com que as suas companheiras também pontuem; (Felipe de Souza).

 

8 - Stephany Lara (VemSer): Ao lado da Bia e Milena, é um dos pilares da equipe. Ajuda bem na rotação ofensiva da equipe e dá profundidade ao VemSer. Faz bem as infiltrações, tem um arremesso consistente de média e curta distância. Faz bem o bloqueio e ajuda a dar bons passes; (Felipe de Souza).

 

7 - Milena (VemSer): Por falar em fazer por merecer, este nome é a única unanimidade da lista. nenhuma outra jogadora foi votada por ambos os colunistas, para a mesma posição. Milena é uma atleta na acepção da palavra, e sua excelência física tem impacto direto no seu jogo e nos reflexos dele para sua equipe.

Milena não só tem o melhor físico da competição, como o utiliza em favor do seu jogo, uma vez que mesmo sendo uma atleta de baixa estatura, consegue pegar um número de rebotes bem considerável (6,75 por partida).

Outro ponto onde também vemos o impacto do seu físico é no tempo de quadra. A atleta é a sétima jogadora com mais tempo de quadra na competição, mesmo estando em uma equipe, homogênea que roda bastante suas atletas. Isso se deve ao fato de que Milena está sempre inteira no jogo, mesmo com uma alta sequencia de minutos jogados.

E esse tempo de quadra vem sendo muito bem aproveitado, a jogadora é ostenta a sexta maior média de pontos por jogo da competição (15pts).

A jogadora do VemSer, costuma causar estrago nos dois lados da quadra, tendo um ótimo deslocamento lateral e figurando no rol das principais ladras de bola da competição, 3,5rou.

Como não poderia deixar de ser, a jogadora está entre as mais eficientes da competição (9ª); (Diogo Aquino).

 

6 - Juliana Ribeiro (Duque Kings): Com o perdão do trocadilho, se o Duque Kings tem uma rainha, ela sem dúvidas é a Juliana Ribeiro. A lateral é disparada a melhor atleta da sua equipe tendo acumulado algumas atuações brilhantes durante a temporada. Atuações essas que foram imprescindíveis para que o Duque Kings pudesse conquistar uma campanha positiva nesta temporada.

A lateral nesta temporada mostrou todo seu potencial e versatilidade, tendo por diversas vezes atuado em mais de uma função durante o jogo ao melhor estilo Point Forward.

A condição atlética também é um fato que chama a atenção. Se a atleta não tem um dos melhores físicos da competição, com toda certeza está bem acima da média. O que fica claro pela mobilidade, versatilidade e tempo de quadra da jogadora.

Nessa temporada o protagonismo de Juliana foi inegável, refletindo-se na excelente média de pontos por jogo: 15,75 (quinta maior da competição), além da quarta melhor média de rebotes defensivos (7,5reb) e tocos (1toc).

Sem sombras de dúvidas a ala do Duque Kings fez por merecer ser lembrada como uma das melhores da temporada 2017; (Diogo Aquino).

 

5 - Joyce Pinheiros (All Basket): Jogadora importante para o All Basket, que assume bem o papel de playmaker e scorer da equipe. Faz com que as suas companheiras pontuem bem e tem grandes ferramentas ofensivas, que faz com que ela entre nesse ranking; (Felipe de Souza).

 

4 - Taliciane Trindade (Impacto): Eu poderia ser curto e grosso e descrever Taliciane em apenas uma palavra: Craque! A última MVP da competição, sem sombra de dúvidas é uma grandíssima jogadora, o tipo de atleta que domina o jogo em um nível que parece jogar em um ritmo totalmente diferente, no qual poucos podem acompanhá-la.

Na última temporada ela esteve em estado de graça e conduziu o impacto ao título. Desta vez, mesmo não tendo sobrado em relação às principais jogadoras da competição, sem sombra de dúvidas deixou sua marca.

Sua equipe terminou a fase de classificação na primeira posição, e muito disso se deve a T², que surpreendentemente, mesmo com sua baixa estatura tem exibido médias de 5,57 rebotes por partida. Além de contar com a quarta maior média de pontos da competição (16,14pts), a segunda maior média de assistencias (5ass) e terceira maior média de roubos de bola (4,14rou). Elementos que somados a outros aspectos do seu jogo a tornaram a 7ª jogadora mais eficiente da competição. Mantendo-a como um pilar do Impacto na busca do bicampeonato; (Diogo Aquino).

 

3 - Débora Reis (Municipal): A Débora, uma power forward de 16 anos, faz um bom trabalho dentro do garrafão, usa muito bem o seu footwork para o trabalho no highpost e lowpost. Ela consegue ajudar o ataque fazendo bons bloqueios para a suas companheiras selecionarem melhor o arremesso e faz um ótimo box out dentro do garrafão.

Ela possui um bom QI de basquete para a idade e consegue fazer uma boa leitura da defesa adversária. Assume em diversos momentos o papel de scorer em quadra.

Ela tem um bom arremesso de curta e média distância, possui uma eficiência considerável no mid-range e no jump shot. Finaliza muito bem as jogadas quando opta pelo layup.

Na defesa, ela contribui bastante no aumento da altura do garrafão e faz com que as adversárias mudem de direção os seus arremessos quando encontra com ela no último ato; (Felipe de Souza).

 

1 - Tayná Silva (NBR): Jogadora que tem as melhores médias de pontos (25.75) e rebotes (14.5) da categoria. Mas acredito que a qualidade dela vai além disso.

Com passagem pela seleção brasileira, ela possui o melhor footwork da categoria, melhor ball handling da posição, melhor QI de basquete da categoria e tem todos os fundamentos bem trabalhados.

Ela realmente não é a jogadora mais eficiente, mas por um ótimo motivo, pois ela não fica presa ao garrafão.

O que mais me chama a atenção, é que ela pode atuar em três posições (small forward/power dorward/center). Em certos momentos, ela pode fazer o trabalho de lowpost como uma center. Mas é comum ver ela arremessando bem do mid-range e até puxando contra-ataque. Ótima shoot creator.

Por fim, quando pensamos em um ranking, temos que pensar quem agrega melhor a equipe, quem se destaca na categoria e se a primeira posição é melhor do que a segunda. Para mim, não há dúvida: Thayná é a melhor jogadora da categoria; (Felipe de Souza).

 

1 - Amanda Oliveira (Impacto): Sei que sou suspeito para falar da Amanda. Afinal todos sabem que sou fã do seu basquete, sobretudo porque a timidez da sua personalidade fora da quadra contrasta com a imposição de seu jogo dentro dela. Dito isso prometo que vou tentar ser o mais sóbrio possível para enumerar todos os feitos da pivô do impacto nesta temporada.

Acredito que o primeiro ponto que chama a atenção de qualquer um reside na relação dela com sua própria equipe. O Impacto até então era visto como o time da taliciane, sobretudo pela forma como a armadora conduziu a equipe ao título na temporada passada. Oportunidade na qual a Amanda também foi primordial, no entanto, exercia um papel “secundário” em relação a principal estrela do time.

Nesta temporada, naturalmente, pelo próprio desenvolvimento do seu jogo, que a cada dia parece mais confiante e dominante, Amanda ganhou um protagonismo silencioso. Não entendam mal, o jogo do impacto ainda se baseia em manter a bola nas mãos da Taliciane e boa parte da produção da Amanda decorre das sobras. No entanto, amanda é de uma linhagem rara de atletas que conseguem assumir protagonismo, mesmo quando jogam em uma equipe, cujo o sistema de jogo não se baseia em incluí-lo nas principais tomadas de decisão.

Para termos uma pequena noção do impacto da jogadora na temporada, acho justo revelarmos alguns números:

1º - 22,13pts (Terceira maior média de pontos por jogo da competição);

2º - 13reb (Segunda melhor média de rebotes por jogo da competição);

3º - 10,3reb (Maior média de rebotes defensivos da competição);

4º - 39,54min (Segunda jogadora com mais tempo de quadra na competição);

5º - 170ef (Jogadora mais eficiente da competição).

Eu sei que números sozinhos podem não dizer nada, mas quando você observa Amanda jogar e compara com as estatísticas, muita coisa passa a fazer sentido. Por exemplo a imposição que nos referimos acima fica explícita ao observarmos as médias de rebote da jogadora, dando mostras do quanto ela tem presença de quadra. No mesmo sentido o atletismo da pivô é evidente ao percebermos que apenas uma jogadora passa mais tempo em quadra que ela em toda a competição.

Por fim, mas pra mim o número mais importante e significativo de qualquer estatística. Amanda é a jogadora mais eficiente da competição, isso significa dizer que se somarmos tudo que uma jogadora produziu de bom (pontos, rebotes, assistências e etc) e diminuirmos por tudo que ela fez de ruim (Faltas, erros etc..), nenhuma jogadora nesta tempora foi melhor que Amanda.

Por tudo isso vejo Amanda como a melhor jogadora da temporada 2017 da LSB. (Diogo Aquino)

Published in Livre Feminino
Top