Terça, 12 Dezembro 2017 13:11

O que eu aprendi com o Municipal Featured

Written by

Antes de mais nada, esse é um texto com a minha opinião pessoal sobre essa equipe.

Quando olhamos para o começo da temporada, era improvável apontar o time do Municipal como um dos grandes favoritos na competição. Olha, que eu pude acompanhar a maioria dos jogos dessa equipe.

Uma equipe bem jovem, com média de idade abaixo de 20 anos e que enfrentaria equipes mais experientes com passagem por times profissionais e até seleção brasileira.

Com o passar dos jogos, vimos um time talentoso e que mesmo com os “apagões” em quadra, poderia render no futuro. Porém, não era esperado que a consistência da equipe iria vir ainda nesse campeonato.

Vale ressaltar, que quando o time rendia bem em quadra, era bonito de ver. As boas jogadas individuais da Joyce Falcão, a entrega da Thainá Karam, a dominância dentro do garrafão da Débora Reis, a movimentação da Clara Wiltgen para conseguir finalizar bem do perímetro e as jogadoras que conseguiam corresponder muito bem, vindo da segunda unidade.

Por sinal, a Clara (atualmente está no high school americano) me falou na sua última partida pelo Municipal no IBC meses atrás, que ela esperava que esse time iria render muito e ela acertou.

Depois de uma temporada regular de altos e baixos, a equipe foi para os playoffs como um azarão.

É nesse momento que aparece três nomes que eu não citei acima: Bruna Gama, Maria Luisa e Gabriel Dutra.

A Maria Luisa, jogadora que já conhecia desde a sua passagem pela Uninassau, foi determinante para o confronto contra a fortíssima equipe do NBR. Ela mostrou uma ótima movimentação ofensiva e belos arremessos de 3 pontos, mesmo contestada. Se fizesse um trabalho de scout sobre ela, definiria como uma jogadora “swagger”. Que basicamente quer dizer, que é uma jogadora autoconfiante e gosta de ser clutch.

Depois de uma série impressionante de 2-0 contra uma das equipes favoritas, o Municipal foi para a final contra a atual campeã, Impacto.

Foi nesse momento que apareceu uma das melhores jogadoras do time tijucano, Bruna. A jogadora mais sóbria nessa série. A maturidade que ela apresentou nos jogos, foi algo absurdo. Ela assumiu muito bem o papel de playmaker da equipe e fez com excelência. Ela não foi o destaque nas estatísticas, mas ela fazia o time do Municipal jogar. Cantava bem as jogadas, tinha boa leitura dos adversários e quando todos estavam marcados, ela fazia cortes simples que eram finalizados com floaters mortais.

Mas nessa final, a Débora roubou a cena. A jogadora que era inconsistente no começo do campeonato, foi a mais dominante nessa série. Nas três partidas, ela colocou a Amanda (uma das melhores jogadoras do Impacto) no bolso. Nas duas últimas partidas, foram 35 rebotes e 12 tocos. Sim, você não leu errado.

Ela aproveitou o fato do Impacto não se importar em fazer um box out decente para evitar os rebotes ofensivos e jogadas da Débora. Terminou o campeonato e chego à conclusão que a Débora gosta de final.

Antes de finalizar esse texto, faltou uma pessoa e eu não esqueci. Gabriel Dutra, foi a base do bom desempenho da equipe nessa temporada. Sem ele, dificilmente as meninas chegariam tão longe. Mesmo que elas sejam talentosas, as chamadas de atenção providenciais e os esquemas táticos aplicados para cada adversário, foram fundamentais para o título do Municipal nessa temporada. Pelo conjunto da obra, Gabriel me confirma que é o melhor treinador dessa temporada.

Por fim, o Municipal me ensinou que a maturidade precoce das suas jogadoras e a aplicação tática em quadra, faz um time ser campeão.

Read 870 times Last modified on Terça, 12 Dezembro 2017 13:14
Felipe de Souza

Felipe Souza é o criador do site HSBasketballBR e co-criador do Live College BR. Ele escreve para o site americano D1Vision e para o Jumper Brasil. Faz trabalho de Scout nas horas vagas e acredita que o estudo diário do basquete, faz dele um profissional melhor.

https://twitter.com/HSBasketballBR
Top